O que é taxa SELIC e para que serve?

Caique Cabral

3 de setembro de 2019

Se você já pesquisou sobre empréstimos, começou a se interessar recentemente por algum tipo de investimento ou tem costume de prestar atenção nas notícias sobre economia, já deve ter ouvido falar sobre a taxa SELIC. Mas afinal, o que é taxa SELIC? Ela é a taxa básica de juros da economia do Brasil e ela tem influência tanto no rendimento de investimentos quanto na cobrança de juros dos empréstimos, por exemplo. Mas para você entender melhor sobre o assunto, vamos falar mais pra frente como é definida a taxa SELIC, qual a taxa atual e como ela influencia na inflação.

Para isso, nesse artigo você vai conferir:

O que é a taxa SELIC?
SELIC Meta x SELIC Over: como diferenciá-las?
Como funciona a taxa SELIC?
Como a taxa SELIC influencia na inflação?
O que acontece quando aumenta a taxa SELIC?
O que significa quando o Governo aumenta a taxa SELIC?
Evolução da taxa SELIC desde 2016

O que é a taxa SELIC?

Se você está se perguntando o que significa taxa SELIC, a sigla corresponde ao Sistema Especial de Liquidação e Custódia, um sistema criado para monitorar a inflação, controlar o custo de créditos no país e a emissão e venda de títulos do Tesouro Nacional. 

A taxa SELIC, como falamos anteriormente, é a taxa base de juros do país, definida pelo Banco Central em uma reunião chamada COPOM (Comitê de Política Monetária), que conta com o comitê de diretores do Banco Central e acontece a cada quarenta e cinco dias (oito vezes por ano). 

Essa taxa orienta tanto a arrecadação de fundos com o Tesouro através da venda de títulos para os bancos, quanto os empréstimos e financiamentos do mercado bancário para as operações overnight. Ou seja, em uma linguagem sem “financeirês”, a taxa SELIC representa quanto custa o dinheiro para empréstimos, usando como base o valor pago nos títulos públicos.

SELIC Meta x SELIC Over: como diferenciá-las?

Antes de entender como funciona a taxa SELIC, você precisa saber que existem dois tipos: a SELIC Meta e a SELIC Over. A taxa SELIC Meta é a taxa que conhecemos e acompanhamos a variação do valor. Ela tem esse nome porque é a “meta” definida pelo COPOM para a taxa de juros base do país. 

Já a taxa SELIC Over é o valor praticado quando um banco empresta dinheiro para o outro. Esses empréstimos interbancários acontecem porque todos os bancos têm a obrigação de depositar diariamente uma porcentagem de suas movimentações em uma conta do Banco Central. Esse depósito é uma estratégia para controlar a quantidade de dinheiro em circulação no país. Assim, quando um banco chega ao fim do dia com um valor menor do que a porcentagem estipulada para depositar para o Banco Central, ele empresta dinheiro de outro banco. Para esse empréstimo, os juros cobrados são baseados na SELIC Over, que normalmente é um pouquinho mais baixa que a SELIC Meta.

Como funciona a taxa SELIC?

A taxa SELIC funciona como base para o cálculo dos juros do país e assim influencia tanto no oferecimento de créditos (que nós vamos falar bastante mais para frente, para explicar porque a SELIC sobe e desce), como também nas modalidades de investimentos como no Tesouro Direto com Tesouro SELIC, na caderneta de poupança ou no CDI. 

Com a variação da taxa, o valor dos juros para oferecimento de crédito mudam. Mas, os rendimentos dos investimentos também acompanham essa variação. Veja só:

Tesouro SELIC: Aqui o rendimento é diretamente proporcional ao crescimento mensal da SELIC, por isso é feita com base na SELIC Meta. A lógica é bem simples. Se a taxa sobe, os rendimentos também, mas se ela cai, os rendimentos diminuem.

Caderneta de poupança: Para a poupança, existem números padrões para o rendimento variar de acordo com a SELIC. Se a taxa estiver igual ou maior que 8,5% ao ano, a poupança rende 0,5% ao mês + a Taxa Referencial (TR). Já se a SELIC estiver menor que 8,5%, a poupança vai render 70% da taxa do período. Por exemplo, a taxa atual é de 6,0% e o rendimento da poupança está em 4,8% ao ano.

CDI: O Certificado de Depósito Interbancário (CDI) é um título privado e usado exclusivamente pelos bancos. Por isso, corresponde à taxa Over, que os bancos usam para basear os juros dos empréstimos interbancários. As aplicações de renda fixa seguem a variação do CDI e por isso também mudam de acordo com as movimentações da SELIC. Entre elas estão LCI (Letras de Crédito Imobiliário), LCA (Letras de Crédito do Agronegócio), LC (Letras de Câmbio), CDB (Certificado de Depósito Bancário), CRI (Certificado de Recebíveis Imobiliários), CRA (Certificado de Recebíveis do Agronegócio), Debêntures (títulos de dívidas).

Como a taxa SELIC influencia na inflação?

Para entender como a SELIC influencia a inflação, é bom saber como ela é definida pelo COPOM. Na reunião, os diretores do Banco Central analisam a situação econômica atual com base na inflação, taxas de juros externas, taxas de câmbio, volume de importações e exportações e o aquecimento da nossa economia: como estão as indústrias as movimentações de consumo e também a inadimplência no país. Depois disso, a taxa é definida como forma de defesa para alavancar a economia ou, pelo menos, tentar conter a inflação, por exemplo.

Basicamente, se a inflação está alta, o COPOM aumenta a taxa SELIC. Já se está baixa, a taxa diminui. Essa inversão dos valores acontece porque, com a SELIC alta, aumenta-se os juros de créditos e assim diminui o consumo. Com as pessoas comprando menos, os produtos ficam parados nas estantes e isso força o comércio a diminuir os preços e, consequentemente, a inflação. Se a inflação está muito baixa o movimento precisa ser o oposto: diminuir o valor do crédito, incentivar o consumo e com a alta demanda o comércio aproveita para aumentar os preços e, junto com eles, sobe a inflação. Essa movimentação ajuda a manter o equilíbrio da economia nacional.

O que acontece quando aumenta a taxa SELIC?

A taxa SELIC, mesmo que não de forma obviamente direta, influencia muito na movimentação da economia e na inflação. Quando a SELIC aumenta, os juros para créditos para empresas ou para pessoas físicas ficam mais altos. Isso faz com que a população tenha uma resistência em usar e acaba freando o consumo. Para as empresas, isso provoca alguns cortes de custos, desde pausas em movimentos de expansão, até atitudes mais bruscas, como corte de pessoal ou fechamento de franquias. 

Com as pessoas cortando custos e consumindo menos, a movimentação no comércio diminui, os comerciantes são forçados a diminuir os preços e acabam mudando sua negociação com a indústria que, para continuar vendendo o que produz, também diminui os preços e isso força uma diminuição da inflação. Assim, com a inflação mais baixa a economia tende a melhorar novamente.

O que significa quando o Governo aumenta a taxa SELIC?

Agora que você entendeu como a taxa SELIC influencia na inflação, já deve ter entendido as intenções do Banco Central quando aumenta ou diminui a taxa, não é mesmo? Se a inflação está alta e a economia do país não vai bem, o aumento da taxa SELIC é uma estratégia para diminuir a inflação, influenciar nos preços das manufaturas e dos produtos vendidos e, com isso, aumentar o consumo e fazer o dinheiro voltar a circular mais, melhorando a economia. 

Claro que não é só a SELIC que movimenta a inflação. Uma situação de cortes de custos, com queda na inflação por conta de um problema de política externa, por exemplo, as negociações no mercado de exportação e importação estão fracas, as indústrias estão produzindo menos e, por consequência, acontecem diversas demissões. Em um momento como esse, a SELIC também é utilizada. É papel do COPOM auxiliar o governo a reverter a situação, baixando a taxa SELIC. Com essa baixa, as pessoas e as empresas conseguem crédito facilitado e assim começam a se recuperar sobre os efeitos da baixa da economia. Com isso, voltam a movimentar o consumo, aumentam a demanda por produtos, as indústrias voltam a produzir e logo a contratar novamente.

Evolução da taxa SELIC desde 2016

De acordo com o Banco Central, podemos observar que nos últimos três anos, desde 2016 vem acontecendo um movimento de queda brusca e gradual da SELIC, que estava em 14.25 e chegou a 6.5 no mês passado e agora em 6.0. Isso reflete bastante as movimentações da economia, trocas de governo e as estratégias do COPOM para tentar estabilizar a economia que estava prejudicada pela imagem política do país.

Fonte: Banco Central

A primeira estabilização do valor da SELIC nesse tempo foi de um ano para cá, entre agosto de 2018 e 2019, mas já voltou a baixar 0.5% na sua última definição pelo COPOM.

Taxa SELIC 201614.25
Taxa SELIC 20179.25
Taxa SELIC 20186.5
Taxa SELIC – Início de 20196.5
Taxa SELIC – Setembro de 20196.0

*Dados baseados nos valores da SELIC no mês de agosto de cada ano.

A taxa SELIC é bem importante para a economia e ajuda a definir as movimentações de créditos, inflação e rendimentos de várias modalidades de investimentos. Por isso, acompanhar as elevações e quedas pode te ajudar a monitorar seus investimentos e escolher um bom momento para começar a investir se você ainda não tem esse hábito. 

Ela também pode ser um fator importante na hora de decidir pegar um empréstimo ou esperar mais um pouquinho para encontrar um momento melhor. Porém, para isso, você precisa não só saber qual é o valor da SELIC atual como também entender as suas variações nos últimos tempos para compreender quais as possíveis movimentações que estão por vir.

Caique Cabral

Formado em marketing e amante das letras, vejo o conteúdo como uma fonte de informação que nunca seca. Escrevo sobre finanças para além de números, sempre em busca das melhores soluções para a vida financeira das pessoas.

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