COVID-19: Devo pegar crédito durante a crise ou depois?

Acredito que todo produto de crédito deveria acompanhar uma bula, a mesma que acompanha os medicamentos que compramos e nos informam pra que servem, como usar, possíveis sintomas e precauções. 

Atualmente, o COVID-19 é o causador de um mal que vai além do sofrimento físico atribuído às vítimas diretas, seu efeito colateral demanda e demandará um volume incontável de dinheiro para que as coisas possam voltar ao normal.

Enquanto lê esse texto, você pode ter uma única certeza: VAI PASSAR. As pessoas poderão sair novamente de suas casas, famílias poderão abraçar seus entes queridos e amigos poderão se reunir novamente para confraternizar ou prantear pelos que ficaram no caminho.

No atual cenário, diversos governos, empresários, funcionários, todos estão preocupados, se questionando: e agora? Como pagar salários, fornecedores, aluguel, impostos, ter renda, um emprego, sustentar a família… perguntas que começam a nos tirar o sono, nos levam para ansiedade e pânico. Mas, calma: VAI PASSAR.

Os economistas muitas vezes são comparados a meteorologistas, profissionais que buscam prever o clima futuro. Nas soluções econômicas, há uma unanimidade: será necessário muito crédito para curar os efeitos colaterais causados à economia. Conceder crédito é uma das chaves para que governos, empresas e as famílias possam reparar os danos.

O crédito é a chave, mas qual o momento certo para pegá-lo?

Abro um parênteses para compartilhar uma história. Desde de 2015 acompanho um concurso entre botecos, algo que nasceu justamente para ajudar os pequenos comércios de bares que precisam sobreviver, já que empregam pessoas e sustentam muitas famílias. 

Em um dado momento percebeu-se uma ameaça de extinção desses estabelecimentos frente às grandes redes. Uma vez que há uma falta de preparação desses profissionais em gestão, os negócios certamente podem quebrar. Então, como ajudá-los? A resposta foi promover um concurso para trazer visibilidade e público. Hoje são mais de 20 cidades participantes, milhares de pessoas envolvidas e muitas empresas de peso contribuem.

Esses estabelecimentos têm 30 dias para mostrar seu melhor, o período de concurso é uma vitrine para que possam encantar e fidelizar o público para passar o restante dos 11 meses até o novo concurso que promova bares e atraia o público, isso foi a salvação de muitos estabelecimentos do setor.

E o que isso tem a haver com a hora de pegar o crédito? A primeira coisa é a semelhança, os botecos são o reflexo da maioria dos pequenos negócios do Brasil, as pequenas e médias empresas, são responsáveis pela maior parte da geração de empregos.

As PME’s são profundamente impactadas com problemas de gestão, uma vez que muitos pequenos negócios ou profissionais autônomos caminham em uma linha tão frágil de gestão de caixa que mal sobra para fazer um fundo de emergência. Seja por motivo do fluxo não permitir, ou pela falta de profissionalismo na gestão, esse nicho é o mais afetado na crise causada pelo COVID-19.

Outra semelhança é que, qualquer crédito tomado por esse segmento tem pouco tempo para se mostrar eficaz. Assim como no concurso, o empresário terá uma curta vitrine para suportar os meses que virão. Então definir QUANDO e QUANTO pode determinar a vida ou morte do negócio.

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Entendemos que nesse processo de “caos”, o remédio é o crédito, o que vamos analisar é quando e quanto tomar? Quais os efeitos desejados? E quais os efeitos colaterais podem gerar, afinal a diferença entre o veneno e o remédio pode ser a dose ou o correto uso.

Tomar crédito durante a crise

Indicação: para empreendedores que não possuem caixa para suportar o período de vacas magras.

Efeitos Positivos: Tomar o crédito durante a crise ameniza os efeitos de ansiedade e outras questões que atormentam como: dívidas de curto prazo, compromissos inegociáveis como o pagamento de salários, questões de emergência ou urgência, tais como alimentos, medicamentos, tratamento hospitalar, situações que garantem a saúde e o bem estar. 

Dosagem: O crédito para solução imediata com rápida aprovação é o conhecido crédito sem garantia, cujas taxas são maiores devido ao risco de inadimplência, por isso é indicado para problemas pontuais e de curto prazo.

Efeitos Colaterais: O ineditismo dessa crise, não nos permite saber quanto tempo durará. No pior cenário, podemos ter algo melhor em setembro. Nesse sentido, tomar o crédito de curto prazo pode não comportar a volta de renda ou receita até lá, elevando o risco de não solucionar o problema, apenas altera sua data, caso o crédito tomado tenha sido completamente usado durante a crise, poderá ficar descoberto no período pós crise.

Tomar crédito após a crise

Indicação: para empresários e empreendedores que possuem algum caixa suportando o período de crise ou parte dele.

Efeitos Positivos: focado em limpar a bagunça, reconstruir e criar fôlego pra recomeçar, com crédito no pós crise é possível renegociar as dívidas com melhor planejamento, pois há uma previsibilidade melhor de entrada de renda que permita honrar os compromissos.

Dosagem: No período de crise pode-se planejar as ações para o pós crise, assim é possível aplicar a melhor otimização no quanto se pode tomar, uma vez que o valor tende a ser maior para recuperar os danos e gerar fôlego para avançar. 

Efeitos Colaterais: A dinâmica dos negócios no pós crise tende a mudar rapidamente. Quando o Brasil passou pela crise energética em 2001, o mercado contava com raros produtos preocupados com eficiência energética, no pós-crise inúmeras opções de eletrodomésticos que estampam letras garrafais sua eficiência de consumo, chegaram como opção ao consumidor, bem como lâmpadas LED e chuveiros que melhoraram sua eficiência de funcionamento. Para os pequenos e médios negócios não será diferente, então será necessário ter um bom planejamento para aproveitar as futuras oportunidades para inovar.

O pós crise trará muitos saltos de processos alterando a forma como fazemos negócios, essa crise provou que muitos estabelecimentos podem operar 100% remoto, ou pelo menos parte dele, algo que pode trazer uma grande economia bem como o desenvolvimento de novos processos remotos. Solicitar o crédito no pós crise permite alterar seus processos para esse avanço.

Eu observei muitos pequenos negócios que não tinham nenhuma preparação para o trabalho remoto, mas, coagidos pela situação, encontraram uma forma de fazê-lo. O crédito no pós-crise permitirá alterar completamente ou parcialmente uma forma melhor de explorar o processo remoto, seja na entrega de produtos, ou serviços como aulas. Vejam, por exemplo, o volume de pessoas que usaram plataformas online para estudar, fazer exercícios e consultas médicas. A tecnologia atual permite que muita coisa possa ser executada com perfeição sem a real presença física.

Não sei qual a sua realidade, se necessitará de crédito durante a crise ou após, aqui esboço os cenários de indicação. 

Independente do sua situação, mantenha assiduidade de pagamentos ou negocie com os credores para que não haja negativação ou protestos. Esse é um comportamento imperdoável pelos avaliadores de crédito, manter pontualidade e adimplência facilita uma análise positiva permitindo acesso ao crédito com taxas e volumes que auxiliarão na retomada.

Tenha a certeza de que VAI PASSAR e que você precisa estar pronto para voltar e RECONSTRUIR.

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Bcredi

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